sexta-feira, 30 de junho de 2017

Resenha: Única Filha

Título: Única Filha
Autor(a): Anna Snoekstra
Editora: Harper Collins
Ano: 2017


Skoob


Sinopse:

"Em 2003, uma adolescente de 16 anos desapareceu. 

Rebecca Winter estava curtindo suas férias de verão. Trabalhava em uma lanchonete, tinha uma queda por um rapaz mais velho e saía com sua melhor amiga. Mas coisas estranhas surgiam ao seu redor: ela encontrou sangue em sua cama, passou a ter surtos de amnésia, sentia-se vigiada. Ainda assim, nada disso preparou Rebecca Winter para o que estava prestes a acontecer. 


Onze anos depois, a garota desaparecida foi substituída.



Para fugir da prisão, uma jovem mulher declara ser a adolescente desaparecida anos atrás. A impostora assume a vida de Rebecca Winter. Dorme em sua cama. Abraça seu pai e sua mãe. Aprende os nomes de suas melhores amigas. Brinca com seus irmãos. Mas a família e os amigos de Rebecca não são quem dizem ser. Enquanto se esquiva do detetive que investiga o desaparecimento de Rebecca, ela começa a se dar conta de que o criminoso ainda está à solta – e ela, correndo risco de vida."



Depois de uma sinopse instigante como essa, fica difícil não se sentir atraído por “Única Filha”. Ganhei o livro no meu aniversário e, assim que peguei para ler, não consegui mais parar. Sou fã de livros com muitos mistérios e suspense, que permitem um sem-número de teorias ao invés de entregar as respostas mastigadas. E foi isso que a autora australiana Anna Snoekstra fez em seu primeiro livro publicado, já com contrato firmado com a Universal para uma adaptação cinematográfica. Poderosa, né?

O livro é narrado de maneira não-linear, intercalando entre terceira pessoa, com o foco na verdadeira Rebecca, e primeira pessoa, sob a voz da impostora. Quando lemos a Rebecca Winter, vemos os últimos dias antes de seu desaparecimento e sua (aparente) paranoia. Nós conhecemos mais sobre a sua vida, familiares e amigos. Enquanto isso, a narração da impostora permanece com mais lacunas em aberto, em especial sobre sua identidade e o que a levou a assumir o lugar da jovem desaparecida. Embora o mistério esteja presente em ambos os pontos de vista, fica claro o contraste de personalidade entre as duas.

Quando lidamos com uma Rebecca adolescente, vemos uma menina comum, cujos sonhos e problemas próprios de sua idade começam a ser eclipsados pela sensação latente de perseguição. Já a farsante se mostra uma pessoa muito observadora e esperta, que joga com as pessoas para conseguir o que deseja. Isso não a faz ignorar o impacto de suas ações, mas, a princípio, também não a impede de tecer uma rede de mentiras para se ver a salvo na pele de Rebecca.


"Deixei as lágrimas começarem a cair naquele momento. Homens detestam ver garotas chorarem. Por alguma razão, faz com que se sintam desconfortáveis."

A partir de um programa de televisão, a impostora assiste uma matéria sobre a menina desaparecida e, aproveitando-se da semelhança que ambas possuem e um desejo irrefreável de fugir do passado, decide pegar essa identidade para si. Seu plano possui muitas brechas, mas ela faz de tudo para aprender mais sobre Rebecca a fim de copiá-la e se manter segura com um novo teto sobre sua cabeça. Porém não demora muito para que a farsante se dê conta de que a situação é muito mais sombria.


"Olho para a foto de novo, a em que ela está sorrindo, mas seus olhos estão tristes. Ela sabia, de alguma maneira? Sabia que estava marcada pela tragédia?"

Os segredos são desvendados aos poucos e ainda assim é possível sentir um gostinho de incerteza sobre o verdadeiro vilão da história até o momento em que tudo é revelado. Tenho certeza que será surpreendente para muitos leitores, embora diversas pistas, mesmo que veladas, sejam posicionadas estrategicamente ao longo da narrativa. Ainda que você cogite o verdadeiro desfecho (e acerte), como foi o meu caso, aplaudirá a maneira como a autora conseguiu manobrar tudo. Uma das coisas que também gostei no final, foi a forma como a impostora terminou, fugindo da água com açúcar, sem abandonar o ritmo e atmosfera criados ao longo dos capítulos, diferente do final da Rebecca que, na minha opinião, saiu um pouco da trama, como se a escritora tivesse mudado de ideia na última hora.


Para os fãs de suspense, super recomendo.


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