sexta-feira, 4 de julho de 2014

Resenha: O Doador


Título: O Doador (The Giver)

Autor(a): Louis Lowry

Editora: Arqueiro

Número de Páginas: 192

Ano de Lançamento: 1993


Sinopse:


"Ganhadora de vários prêmios, Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existe dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não existe amor, desejo ou alegria genuína.
Os habitantes da pequena comunidade, satisfeitos com suas vidas ordenadas, pacatas e estáveis, conhecem apenas o agora - o passado e todas as lembranças do antigo mundo foram apagados de suas mentes.
Uma única pessoa é encarregada de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis.
Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo.
Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.
Premiado com a Medalha John Newbery por sua significativa contribuição à literatura juvenil, este livro tem a rara virtude de contar uma história cheia de suspense, envolver os leitores no drama de seu personagem central e provocar profundas reflexões em pessoas de todas as idades."


Sinopse grande, não? Mas resume bem do que se trata esse livro incrível e maravilhoso que eu mal acabei de ler e senti uma imensa necessidade de fazer essa resenha.

Agora, imaginem um mundo onde não há guerras ou violência de qualquer tipo. Onde não há fome, desigualdade social ou preconceito racial. Uau! Esse mundo parece tão perfeito! A paz mundial, enfim, existe. Na sociedade atual, esse seria um pensamento considerado utópico, certo?

Mas é isso que acontece no livro. E no início podemos achar isso incrível. Pois então, vamos continuar imaginando. Agora tentem também enxergar um mundo sem inveja, orgulho, vaidade, tristeza, solidão, ódio... alegria e amor. Bem, essa última parte não parece tão legal, não? E quando digo amor, por favor, não pensem só no amor romântico, mas no amor entre pais e filhos, irmãos, amigos... Simplesmente, não existe.

Em “O Doador”, a sociedade foi dividida em comunidades, onde as pessoas vivem suas vidas através de regras rígidas de comportamento e não se importam com isso. Eles são levados a acreditar que esse é o modo mais fácil de se viver, já que é um padrão seguido há gerações. Tudo é incrivelmente organizado, desde a quantidade de filhos que cada família possui até o clima. Sejam sinceros, é bem mais fácil quando não temos que fazer certas escolhas, não é?


“A comunidade foi tão meticulosamente ordenada, com as escolhas feitas com tanto cuidado.”

As pessoas dessa comunidade não possuem qualquer conhecimento do passado e nem acesso a livros de história. Eles não sabem o que é fome, pobreza, música, sexo (poucas mulheres são escolhidas para gerarem filhos e estes são adotados), cores e sentimentos. Apenas uma pessoa guarda as memórias de toda a humanidade: o Receptor de Memórias. Sinceramente, eu teria pena dessa pessoa. Ele é obrigado a guardar tudo em sua mente e não pode passar isso para ninguém, a não ser o seu sucessor ou quando dá conselhos aos Anciãos.


“Era contra as regras para crianças, ou adultos, olharem a nudez alheia.”

Agora, como é escolhido esse sucessor? As crianças passam por cerimônias a cada ano e aos 12 são consideradas adultas, sendo assim designadas para um trabalho específico. E é aí que as coisas ficam interessantes. Os trabalhos são bem diversos e um deles é o de Receptor de Memórias. Embora a seleção para essa tarefa, em especial, seja feita com um grande intervalo de tempo. Nesse momento que entra o personagem principal da história: Jonas, que terá o grande fardo se suceder o atual receptor.

"Ou se", Ele continuou, quase rindo do absurdo, "Eles escolhessem os seus próprios trabalhos?"
"Assustador, não é?" O Doador disse.
Jonas riu. "Muito assustador. Eu não posso nem imaginar. Nós realmente temos que proteger as pessoas de escolhas erradas. É mais seguro."
"Sim", concordou Jonas. "Muito mais seguro".

É difícil falar sobre esse livro e um dos fatos que me deixou impressionada é que ele foi lançado em 1993! Muitos antes de acontecer esse “Boom!” das distopias.

        Quantos de nós já não pensaram o quão fácil seria não sentir, especialmente depois de alguma decepção ou perda? Eu, pelo menos, já me perguntei isso centena de vezes. Mas até mesmo as nossas experiências ruins servem para nos constituir como humanos e perder isso significa perder parte de nossa essência.


"Às vezes eu desejo que eles pedissem a minha sabedoria com mais freqüência.
Há tantas coisas que eu poderia dizer-lhes; coisas que eu gostaria que eles pudessem mudar.

Mas eles não querem a mudança. A vida aqui é tão ordeira, tão previsível ... Tão indolor. É o que eles escolheram."

        Creio que essa seja uma das mensagens que a autora desejou partilhar conosco através do livro. Um mundo como esse pode parecer tentador, mas, afinal, estamos realmente dispostos a abrir mão de coisas tão importantes como o amor?

        Esse livro me atingiu num nível que eu nunca poderia esperar, fazendo-me pensar em como temos levado nossas vidas, em como temos agido com os outros e com nós mesmos. O pensamento de uma sociedade como essa é tão triste que, enquanto lia, não pude evitar algumas (muitas) lágrimas. Uma sociedade em que não poderia apreciar pinturas, músicas, pois não teria sentimentos para isso... Uma sociedade onde eu não teria o amor de meus pais, ou amigos, porque o amor é uma palavra generalizada e obsoleta...

        Por favor, leiam esse livro. Vale muito a pena. Por mais que fale sobre a falta de sentimentos, ele causa justamente o contrário nos leitores. Raiva, surpresa, tristeza, medo... Sim, medo. Medo de que as coisas tomem o mesmo rumo do livro. Apenas espero que o filme não distorça a mensagem e a reduza a mais um romance adolescente.


"É só que eu não sei o seu nome. Pensei que você fosse O Receptor, mas você diz que agora eu sou O Receptor. Então eu não sei como chamá-lo."
O homem sentou-se na cadeira confortavelmente estofada. Ele moveu seus ombros ao redor como se para aliviar a uma sensação de dor. Ele parecia terrivelmente cansado.

"Me chame de O Doador", disse ele a Jonas.

Trailer:



Personagens:


Brenton Thwaites como Jonas
Jeff Bridges como O Doador
Meryl Streep como Chefe dos Anciãos
Alexander Skarsgård como Pai de Jonas
Katie Holmes como Mãe de Jonas
Cameron Monaghan como Asher
Odeya Rush como Fiona
Taylor Swift como Rosemary

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