Autor(a): Thomas Harris
Editora: Record
Número de páginas: 443
Ano de Lançamento: 2000
Resenha: O Silêncio dos Inocentes
Sinopse:
"Após o banho de sangue que Hannibal causou ao fugir do presídio,
ele consegue fugir primeiro para o Brasil, onde consegue bons documentos falsos
e depois para a Itália, onde, com nova identidade e novo rosto, tenta começar
uma vida nova, sendo o curador de um Museu. Mas o vício não o abandona tão
facilmente... Enquanto isso, nos Estados Unidos, o FBI não desistiu de
prendê-lo, usando a agora Agente Clarice Starling, que já tem um bom
conhecimento sobre o caso e está em maus lençóis depois de uma operação policial
mal feita. Mas o maior problema de Hannibal não é a polícia! Acontece que uma
de suas primeiras vítimas, o rico e inescrupuloso Mason Verger, que foi
completamente desfigurado pelo Dr. Lecter, só pensa em vingança. Além de um
parafuso a menos, ele sempre está um passo a frente do FBI e sabe que seu
objetivo está mais próximo que nunca de se realizar, com uma vingança, que pode
ser considerada no mínimo, surpreendente e bizarra! Agora, parece que o Dr.
Lecter, de caçador, passa a ser a caça. Vai ser preciso muito mais que seus
dentes para se safar dessa rede. Thomas Harris conseguiu fechar essa saga com
chave de ouro. Brilhante, bizarro e absurdo, como descreveu o Publishers Weekly
sobre o livro, é além de tudo, um aprofundamento na vida de Hannibal: seus
gostos, sua infância, sua família..."
Eu ainda estou extasiada com esse
livro! Passei a madrugada de hoje (14/07) lendo e não consegui largá-lo nem
por um segundo. Anteriormente, fiz uma resenha de “O Silêncio dos Inocentes”
e admiti que foi um livro complicado de ser lido, pois era um gênero ao qual não
estava habituada. As adaptações foram muito
bem feitas, por sinal, e Anthony Hopkins foi o Hannibal perfeito (Na minha opinião, diferente do
caso de Julianne Moore como Clarice Starling).
Mais do que lógico, esperei que
acontecesse a mesma coisa dessa vez, porém, para a minha surpresa, fiquei muito
presa ao livro e à trama. Quem não leu "O Silêncio dos Inocentes", é melhor passar direto por essa resenha para evitar alguns spoilers.
Ao final de “O Silêncio dos Inocentes”,
Clarice Starling se torna uma verdadeira agente do FBI e Hannibal está à
solta. O fato dele estar livre dá uma dinâmica completamente diferente ao
livro. Nós entramos um pouco mais na mente do famoso canibal e começamos a
enxergar as coisas pelos seus olhos. O que pode ser incrivelmente intrigante e assustador ao mesmo tempo, pois ele desperta uma empatia fora do comum. Hanninal é dotado de uma inteligência e
sagacidade invejável. Era de se esperar que não fosse muito normal kkkkk'
“— O que mais eu lhe disse?
— Que o senhor era muito mais estranho
do que eu jamais seria. Disse que não havia problema em ser estranho.”
Contudo, parte dessa sua conturbada mente
é justificada quando o autor conta parte do passado de Hannibal e expressa
através dele o quanto isso o influenciou. Começamos a vê-lo não como um
monstro, como é tachado, mas como um ser humano excepcional, com valores
digamos, distorcidos.
“No mundo do avião brota de seu rosto suado
um grito curto, fino e agudo, penetrante [...] O Dr. Lecter respirou várias
vezes, a cabeça apoiada no encosto. Em seguida sua compostura voltou, como se a
calma rolasse do alto da testa para cobrir o rosto.”
Ao passo que vemos essa face de
Hannibal, acompanhamos também o amadurecimento de Clarice como mulher e
agente. Desde seu último encontro com Hannibal, ela vem lutando para ser
reconhecida pelo seu bom trabalho, mas acaba enfrentando barreiras, como o
sexismo de colegas e superiores.
"Fomes misturadas atravessaram
seu rosto; era da natureza de Krendler apreciar as pernas de Starling e ao
mesmo tempo ver onde poderia cortar o tendão-de-aquiles."
Para a minha felicidade, há também
um aprofundamento no relacionamento entre os dois. Algo que vai além da imagem “mentor
e pupila”. Os dois, de certo modo, ajudam um ao outro a superarem assuntos
inacabados do passado, o que torna o elo entre ambos ainda mais forte.
Como plano de fundo, nós temos
Hannibal sendo caçado não só pela polícia, mas por um antigo paciente que
sobrevivera a ele. Felizmente, não é uma história rasa, que só está lá por
estar. Até mesmo os personagens secundários tem uma história a contar e que
pode contribuir para o rumo geral, ou não. Certas partes me deixaram com o
estômago muito mais embrulhado do que a parte sobre “comer gente”.
Thomas Harris conseguiu superar “O Silêncio dos Inocentes”, aparando
todas as rebarbas da história, dando um sentido a tudo. E o final... Nossa, que
final!!! O final do filme, infelizmente, não fez jus ao final do livro ao
cortar, e mudar, quase tudo. É comovente, excitante... Maravilhoso! Foi o final
que eu desejei e que excedeu as expectativas.

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